
Vejo que muitas pessoas procuram uma tecla em sua vida chamada “control facilidade” ou “shifit tudo pronto” isso não existe, não há passes de mágica na vida, a vida é real, dura e difícil para quem não deseja lutar por seus objectivos. Muitas pessoas procuram o Candomblé com a sensação de que dentro de uma Casa de Orixá ela vai encontrar solução para o problema que ela própria criou em sua vida, que a solução é simplesmente fazer um ebó ou uma oferenda. Esses ainda não entenderam que precisam de esforço e de trabalho para conseguir o que desejam. Os Orixás ajudam, isto é certo, mas sem sua própria colaboração sua vida pára, tudo acaba, fica sem cor. E em inúmeras vezes acabam vítimas de pessoas menos habilitadas que se aproveitam de sua fraqueza. Neste ponto começa meu questionamento e sempre pergunto ao Yaô. Devemos viver “Para o Candomblé”, “De Candomblé” ou “O Candomblé”?. Cada uma destas perguntas leva a pensamentos diferentes e visões de mundo diferentes.
Minhas visões de mundo. Não sou nem quero ser ditador de normas, apenas exponho minhas ideias, meu modo de pensar a religião.
Viver Para O Candomblé – A pessoa tem a vida resumida a religião, pensa e vive a religião, se dedica ao culto como se isso fosse sua tábua de salvação. Geralmente acabam cobrando dos outros a mesma dedicação ou submissão que eles tem com a religião, se tornam na maioria das vezes pequenos tiranos, impondo suas normas e desejos. O fazem não por consciência, mas por acharem que essa é a única forma de viver na religião, dedicação exclusiva e integral. Geralmente tem problemas com os membros da comunidade que tem uma vida fora da religião com filhos, companheiros, trabalho, estudos, enfim, vida social.
Viver De Candomblé – Qualquer mercador seja ele comerciante ou “Zelador mercantilista” pode viver de Candomblé desde que tenham como finalidade única o ganho financeiro nesta relação. (A diferença é que mercador/lojista tem uma finalidade clara e necessária, vender mercadorias, já o “Zelador mercantilista” nem sempre). Nestes casos os desavisados que procuram a tal tecla “control facilidade” devem ter muito cuidado, pois são alvos fáceis para o mercador de ilusões. E são banhos, Boris e oferendas de todo tipo – quase sempre dispendiosas e desnecessárias. O “Zelador mercantilista” é um tipo que tem se proliferado e causado danos a religião, que na sua maioria é formada por pessoas honradas e de bom coração. Viver De Candomblé, é possível e muitas vezes necessário ao desempenho de tantas funções que demandam a presença constante do Zelador na Casa de Orixá, porém com respeito a religião e as pessoas.
Viver O Candomblé – Viver O Candomblé se diferencia de viver DE Candomblé quando as pessoas têm a consciência do seu papel social e sacerdotal dentro da comunidade. Nesta lista estão as pessoas que conseguem diferenciar o Candomblé das suas obrigações diárias, das suas necessidades financeiras e de tudo mais que faz parte das necessidades da pessoa. Não utilizam a religião para ganhos pessoais e não fazem ebós e oferendas desnecessárias. Estes encontraram o caminho do equilíbrio e vivem de acordo com os preceitos básicos da religião. O Candomblé assim como toda religião tem necessidade de dinheiro para se manter, mas ele não é a mola propulsora desta relação. Viver assim não é fácil, o aprendizado é longo e diário e é um grande compromisso na vida religiosa.
Aos Yaôs com os quais tive a honra de conversar eu fiz meu alerta e cabe a eles encontrarem seus caminhos, que podem não ser nenhum dos que citei, afinal são minhas ideias e minhas visões de mundo, que são diferentes das suas que está me lendo, avaliando minhas visões de mundo e criticando bem ou mau, concordando ou não.
Mas o que peço aos mais velhos de nossa religião é que mostrem aos mais novos de suas Casas as suas visões de mundo e suas ideias, os valores do Candomblé e a hierarquia, as regras e principalmente os orientem, conversem com seus irmãos, os protejam. Façam sua parte de mais velho.
Tomeje do Ogum
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